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DEPOIS TEVE AQUELE PESADELO

      Eu estava, como sempre meio sonolenta, com aquela sensação de irrealidade tão persistente nos últimos dias. Vieram me dizer que estavam me levando para fazer um exame para saber ao certo o que havia de errado comigo. Eu fui levada de maca, olhando as luzes no teto até a sala de exame.       Estava frio. Eu estava só com aquela camisolinha amarrada atrás que usam na UTI. Lembro da sensação da mesa de exame dura contra as minhas costas. Tentei resistir um pouco quando me colocaram naquela horrível posição de frango assado.     "Vamos lá, Senhora. É para o seu próprio bem. Lembra do que a gente conversou?"     Não eu não lembro. Mas apesar da vergonha, cedi. Fechei os olhos.     "Vamos ver o que temos aqui..."       Senti o espéculo gelado sento introduzido na minha vagina. Ouvi a voz do auxiliar: "Minha nossa! Que cheiro é esse?"       "Está tudo podre aqui dentro. Joga um pouco ...

O COMEÇO DO FIM

      Não tinha nem uma semana que fora decretada a pandemia de coronavírus no Brasil quando me entregaram os documentos de abertura do processo administrativo. Eu fiquei boquiaberta. Todas aquelas reclamações já tinham sido levadas à gerencia da saúde e, até onde eu entendi, RESOLVIDAS!      Eu SEI que não gostam de mim. Eu SEI que eu INCOMODO a maioria das pessoas, embora não tenha bem certeza de COMO ou POR QUÊ. Mas abrir um processo administrativo assim, sem base, sem quê nem porquê? Fiquei muito indignada. Me senti profundamente ofendida e aviltada. Meu primeiro impulso foi escrever um documento dizendo "Não tenho que me defender de nada porque sei que não fiz nada de errado. Mas já que querem tanto o cargo, podem ficar com ele, façam bom proveito, enfiem no cu."     Depois fui para casa, esfriei a cabeça e não mandei a carta. Mas levei muito mais do que os quinze dias disponíveis para conseguir redigir uma defesa que fizesse sentido e que nã...

UM SONHO MUITO MARCANTE

  Quando eu era muito jovem, adolescente, uma vez eu tive um sonho muito marcante.                   Eu estou caminhando pela cidade. Há muitos prédios. Parece o centro de São Paulo. Sinto-me incomodada, mas não sei o que é.                 Então a paisagem muda. Uma área aberta, um parque ou praça. Estou em pé sob uma árvore muito grande e frondosa, aproveitando o frescor da sombra. A alguma distância observo algumas crianças brincando alegremente e isto me acalma um pouco.                 Subitamente, duas crianças olham para mim. Um menino e uma menina. Param imediatamente a brincadeira e correm na minha direção, muito felizes em me ver:                 – Mamãe!!! ...

A lembrança mais remota

      A lembrança mais remota que eu tenho da minha vida e que posso dizer com certeza que é mesmo minha, é de quando eu tinha dois anos de idade, o quanto era difícil fazer o gesto de paz e amor para dizer quantos anos eu tinha. Quando finalmente eu consegui fazer isso sem ajudar com a outra mão, qual não foi a minha surpresa e desapontamento quando me disseram que NÃO ERA MAIS DAQUELE JEITO, que agora eu tinha que mostrar TRÊS dedinhos e não só dois. Fiquei tão frustrada que nunca mais gostei de brincar daquilo.